Chama-lhe António. Ganha 500.000 AOA por mês — como muita gente que trabalha a sério em Luanda. Nunca se achou rico. Mas também nunca passou fome.
Um dia fez uma conta simples: 500.000 × 36 meses. 18 milhões de kwanzas tinham passado pelas mãos dele em apenas 3 anos.
Dezoito milhões. E quando olhou para o saldo, tinha menos de 50.000 guardados. O resto? Evaporado em prestações, saídas e "pequenas" despesas que ninguém soma.
18.000.000 AOA passaram pelas mãos dele em 3 anos. Guardado: quase nada. Não foi falta de salário — foi falta de sistema.
Depois veio o que vem sempre: o filho acordou com febre alta, clínica, internamento, exames. E ele, que ganhava bem, teve de pedir emprestado.
Foi aí que a ficha caiu. O problema nunca tinha sido quanto ganhava. Era não ter regras: sem categorias, sem reserva protegida. O dinheiro entrava e fugia.
Quando montou um sistema de verdade, tudo mudou. Hoje cada kwanza que entra é separado antes de ele lhe tocar. A reserva cresce sozinha, todos os meses. E se a vida aparecer, ele está de pé.